sexta-feira, 4 de maio de 2012

Happening


Roberto Corrêa dos Santos


boa noite ele disse. boa noite. o paraninfo disse boa noite. e repetiu. boa noite. o paraninfo deveria prosseguir. esperavam. o paraninfo suou pelo corpo inteiro. pediu licença em silêncio para retirar o paletó. e disse. disse mais uma vez. boa noite. cumprimento a todos. e para reavivar neste instante nossa por vezes esquecida sobre-humanidade. (conseguira ele dar um passo na voz além dos inícios). do cerne do silêncio ouviram a respiração do paraninfo escapar pelas caixas de som. continuou suando suando. tentou pronunciar algo. algo que o fizesse prosseguir apesar de bem diante do microfone cruel. não reconhecia mais suas palavras nem seu timbre. nem o papel no bolso que preferiu manter secreto. repetiu a frase em sussurro. boa noite. boa noite repetiu antes de afastar-se heróico.